Conto de terror natalino +18
Estava caminhando enquanto voltava da casa da minha namorada, quando vi uma casa linda parecendo até mesmo de contos de fada. Tem várias rendas rosadas, uma tinta branca, várias flores azuis, roxas e brancas, além de uma planta com folhas em um tom bem forte de rosa e um contorno esverdeado. É tudo que eu queria para mim.
— Julia, você vai mesmo desistir de mim? — Essa voz sabe meu nome, mas eu nem sei de quem é essa voz e de onde ela é, talvez seja a dona da casa.
Ignorei e tentei voltar ao meu lar, porém antes que eu pudesse andar como eu gostaria, senti as minhas pernas indo ao sentido oposto. Será que lá dentro tem um ser cruel que pretende acabar comigo? Se sim, o que eu fiz para merecer isso?
Apenas conseguia derramar várias lágrimas, molhando meu rosto e as minhas roupas. Meu coração também estava acelerado, além de o meu corpo estar paralisando aos poucos, impedindo-me de fugir do que quer que fosse aquela voz.
— Não seja uma menina má, aproveite esse tempo comigo, Julia. O que seus pais diriam sobre isso?
Meu corpo começou a suar muito, piorando ainda mais a minha situação. Foi quando senti uma mão tocar meu rosto, causando-me um medo enorme e era aqui o meu final enquanto pessoa.
Nisso aquela voz me levou para a casa dela, puxando-me a ponto de eu ficar sem forças para ir contra seus movimentos, apenas via aquela mão pálida tomando todo o meu corpo.
— Vejo que consegui mais uma pessoa para a festa. — Seu tom de voz era horrível, seu sorriso fechado, seus olhos escuros e tudo isso contrastando com suas roupas em vários tons de rosa. E sua pele extremamente pálida, como se não tomasse sol há anos.
— Que linda garota, seus lindos cabelos longos, suas lindas roupas, sua linda voz. É uma pena que falará pouco logo mais. — Tem uma aura horrível nessa casa e um cheiro péssimo, espera ai, é uma árvore de natal com quase todos os órgãos do corpo humano? Não, eu devo estar surtando por estar em um ambiente desse tipo.
— Se for fazer, faça logo. Pare de me fazer sofrer!
— Você sabe gritar? Isso é lindo. Agora diga seu nome e o motivo de estar aqui. — Não quero! E não vou. — Sim, você vai querendo ou não — Sua voz horripilante me deixava com ainda mais medo.
Quando notei seus movimentos, uma faca estava bem nas suas mãos, pronta para me matar, então peguei a faca e enfiei no seu braço, dando-me tempo para correr. Ao menos era o que eu esperava.
— Você é mesmo atrevida. Seus pais não te educaram direito. — Ela começou a jogar várias facas para tentar me parar, até me fazer correr em direção à parede, encurralando-me com todos os objetos.
— Não fale dos meus pais! — Essa mulher deu uma risada assustadora, prendendo-me na parede.
Meu cabelo, minha roupa, minhas mãos, meus pés, tudo estava preso, eu seria o último órgão na árvore dela. Só de pensar naquele coração, naquele cérebro, no estômago, no útero, no pênis, tudo aquilo me dava calafrios. E para piorar, tudo estava com luzes verdes, azuis e vermelhas, todas piscando.
— A minha boca não vai escapar tão cedo. Julia, você é ingênua demais em achar que eu te deixaria escapar tão fácil, já vi de tudo nesses anos montando árvores e você será a minha próxima vítima.
Ela começou a passar a faca na região da minha boca, cortando-a pouco a pouco até me deixar sem esse órgão essencial. Meu sangue escorria, a dor era imensa, tudo isso porque ela precisava montar uma árvore de natal feita de pessoas.
— Está linda, olha quanto sangue, quanta dor, além de estar com a parte de dentro exposta para os animais comerem mais tarde. Tenha bons sonhos minha querida, e tenha um feliz natal. — Mais uma vez deu sua risada em meio a olhares sádicos direcionados ao meu corpo
Quando olhei ao lado vi vários corpos no mesmo estado que o meu, todos cheios de sangue escorrendo, todos com a pessoa gritando de dor. E pelo cheiro não é tão recente, eu, eu peço desculpas por ter vindo aqui, pai, mãe, vocês não mereciam imaginar que sua filha morreria nas mãos de uma pessoa assim. Eu amo vocês.
Aos poucos os insetos tomaram meu corpo, fazendo a minha decomposição. Meus cabelos estão horríveis, minha voz não sai mais, meu coração já parou de bater. Sou apenas mais uma.
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